28 de Junho de 2026
Vivemos um tempo de ruído. As redes sociais nos empurram para o confronto, os algoritmos nos isolam em bolhas e a inteligência artificial, por mais fascinante que seja, muitas vezes nos entrega um simulacro de pensamento — respostas prontas para perguntas que ainda não aprendemos a fazer direito.
No meio desse turbilhão, a literatura digital surge não como um luxo, mas como uma necessidade civilizatória. Ela não compete com a velocidade do feed de notícias; ela oferece o contrário: pausa, profundidade, silêncio. E é exatamente isso que estamos perdendo.
A poesia, em particular, tem um papel que nenhuma tecnologia vai substituir, porque a poesia em si já é uma tecnologia — a tecnologia da sensibilidade humana. Enquanto a internet fragmenta a atenção, o poema recolhe o indivíduo para projetar o ser, a alma, o infinito. Enquanto as IAs generalizam, o poeta particulariza: ele diz o que só ele poderia dizer, do jeito que só ele saberá.
Cada poeta que publica um e-book não está apenas “disponibilizando conteúdo”. Está plantando uma semente de humanidade num terreno que, dia após dia, trará mais frutos. É por isso que a Coleção 20 Poemas é, para nós, um gesto de resistência cultural. Quanto mais vozes poéticas ocuparem o espaço digital, mais forte será o contraponto à grosseria, à pressa, à barbárie, ao vazio.
UM HORIZONTE EM CHAMAS NOS CHAMA. É SOBRE ISSO…
E o mais bonito é que esse movimento já começou. Dezenas de poetas estão chegando, cada um com seu universo, sua biografia, sua maneira única de nomear o mundo. Do existencialismo à literatura infantil, da memória afetiva ao regionalismo e à fantasia, a Coleção 20 Poemas está se tornando um retrato da poesia brasileira contemporânea — múltipla, viva e necessária.
É por isso que nós, do Portal Ornitorrincobala, buscamos mais! Queremos mais vozes. Queremos trazer mais poetas para respirar e transpirar conosco o ar da literatura em toda sua extensão. Queremos poetas que entendam que o digital não é o inimigo da literatura: é o palco que eu, tu, eles — merecemos e buscamos.
Para fechar este artigo com chave de ouro, nada mais justo do que citar um poema do poeta amapaense Herbert Emanuel:
“A poesia vive A poesia sobrevive apesar da crise e dos gases venenosos” (H.E.).
Assinado: Jidduks